Mototaxistas, motoristas por app, entregadores e até lideranças comunitárias estão entre as vítimas; quase 4 mil pessoas morreram
Um levantamento divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado revelou um cenário alarmante: mais de 5 mil pessoas foram baleadas em Salvador e na Região Metropolitana desde 2022 até o último dia 26 de junho. Do total de 5.004 vítimas, 3.970 não resistiram aos ferimentos e morreram.
O perfil das vítimas é diverso e revela que a violência armada atinge desde agentes de segurança (113) até mototaxistas (46), motoristas por aplicativo (31), entregadores/motoboys (30), rifeiros (23) e vendedores ambulantes (17). O estudo também identificou que lideranças comunitárias (6), religiosas (8), gestantes (8) e até políticos (4) foram alvos da violência armada nesse período.
Apenas no dia em que a marca dos 5 mil baleados foi alcançada — quinta-feira (26) — sete pessoas foram vítimas de armas de fogo, sendo que cinco morreram e duas ficaram feridas.
Para o Instituto Fogo Cruzado, os números reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à prevenção da violência e proteção da vida, especialmente de trabalhadores e moradores de áreas periféricas.
Entre os casos mais marcantes está o de Wallace Sacramento Borges, jovem de 22 anos que trabalhava como motorista de aplicativo. Ele foi baleado na cabeça durante um assalto em março deste ano, enquanto aguardava no semáforo da Avenida Ogunjá. Wallace chegou a ser levado para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu.
Outro caso ocorreu em outubro de 2024, quando o mototaxista Alexsandro Alberto Barbosa de Araújo foi morto na porta de casa, na Rua Botafogo, em Sussuarana. Familiares relataram que ele foi chamado por alguém no portão e, ao sair, foi alvejado. Ele deixou esposa e um filho.
O levantamento evidencia como a violência armada tem afetado diretamente trabalhadores informais, prestadores de serviço e moradores das periferias, que se veem cada vez mais expostos ao risco de morrer no exercício de suas atividades diárias.