Governo chinês defende princípios de soberania e afirma que medidas comerciais não devem servir como forma de intimidação
O governo da China se posicionou de forma crítica em relação à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em pronunciamento feito nesta sexta-feira (11), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou que o uso de tarifas comerciais como ferramenta política é inaceitável.
“Medidas tarifárias não devem ser utilizadas como instrumentos de coerção, intimidação ou interferência nos assuntos internos de outros países”, declarou Mao durante uma coletiva de imprensa em Pequim. A diplomata ressaltou que princípios como a igualdade entre as nações e a não interferência fazem parte da Carta das Nações Unidas e são essenciais para manter o equilíbrio nas relações internacionais.
A resposta chinesa ocorre após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com início previsto para 1º de agosto. Além disso, o republicano também mencionou a possibilidade de uma tarifa adicional de 10% para países que integrem os Brics ou estejam alinhados a suas diretrizes.
Na mesma linha, Mao Ning já havia defendido anteriormente que o Brics não tem como objetivo confrontar nenhum país, mas sim promover a cooperação entre nações emergentes. Segundo ela, a adoção de tarifas com motivação política é prejudicial ao comércio global e à estabilidade internacional.
“Não existem vencedores em guerras comerciais. O protecionismo não leva a lugar algum”, completou a porta-voz, reforçando a visão da China de que disputas comerciais devem ser resolvidas com base no diálogo e na cooperação.