O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 voltou ao centro das discussões políticas no Brasil. A proposta prevê substituir o modelo atual, em que o trabalhador atua seis dias seguidos e folga apenas um, por uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso, conhecida como escala 5×2.
A mudança também envolve a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas. A ideia é melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ampliando o tempo para descanso, lazer e convivência familiar.
Segundo o governo federal, a pauta é considerada prioritária e deve ser debatida com trabalhadores, empresários e o Congresso Nacional antes de qualquer votação. A expectativa é que a discussão avance ainda neste ano.
Impacto maior sobre as mulheres
Especialistas e autoridades apontam que o fim da escala 6×1 pode ter impacto significativo principalmente para as mulheres. Isso porque muitas enfrentam a chamada “dupla jornada”: além do trabalho remunerado, assumem grande parte das tarefas domésticas e do cuidado com filhos ou familiares.
Na prática, isso significa que, mesmo após um dia inteiro de trabalho, muitas mulheres ainda dedicam horas às atividades da casa. A mudança na jornada poderia oferecer mais tempo para descanso e organização da vida familiar.
Rotina pesada
A realidade de quem trabalha nessa escala ajuda a explicar por que o tema ganhou força. Muitos profissionais têm apenas um dia de folga por semana e relatam dificuldade para conciliar trabalho, estudo e vida pessoal.
Uma balconista de farmácia em Brasília contou que já perdeu diversos eventos familiares por causa da rotina de trabalho e gostaria de ter mais tempo para estudar e se dedicar a outras atividades.
Apoio da população
Pesquisas indicam que a proposta tem grande apoio popular. Um levantamento recente apontou que cerca de 84% dos brasileiros defendem ao menos dois dias de descanso por semana, e 73% apoiam o fim da escala 6×1, desde que os salários sejam mantidos.
Se aprovada, a mudança representaria uma das maiores alterações nas regras de jornada de trabalho no país nas últimas décadas.