Celulose lidera exportações baianas e setor teme perda de mercado com tarifa de 50% anunciada por Trump
A economia da Bahia pode sofrer um impacto significativo com a nova tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. O anúncio, feito na última quarta-feira (9), acendeu um sinal de alerta especialmente na indústria baiana, que corre o risco de perder cerca de R$ 2,6 bilhões já no primeiro ano da medida.
Os Estados Unidos são atualmente o terceiro principal destino das exportações industrializadas da Bahia, atrás apenas da China e do Canadá. Segundo a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), só no primeiro semestre deste ano o estado exportou o equivalente a US$ 440 milhões (R$ 2,4 bilhões) para o país norte-americano. A expectativa inicial era fechar o ano com US$ 900 milhões em vendas, mas esse cenário pode mudar drasticamente com a nova tarifa.
Uma projeção da Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia (SEI) indica que a perda pode chegar a US$ 470 milhões, o equivalente a R$ 2,6 bilhões. O setor mais afetado será a indústria de transformação, responsável por quase 90% das exportações baianas para os EUA. “A indústria vai ser fortemente atingida. Embora represente 1% do PIB estadual, essa fatia é muito mais relevante dentro do segmento industrial, que responde por mais de 15% do PIB da Bahia”, explica Vladson Menezes, superintendente da Fieb.
O setor de celulose é o mais ameaçado. De acordo com Arthur Cruz, coordenador de Conjuntura Econômica da SEI, em 2025 a celulose lidera as exportações da Bahia para os EUA. Atualmente, 12% de toda a celulose exportada pelo estado tem como destino o mercado norte-americano. “Esse é um setor altamente dependente do mercado externo e será duramente impactado”, reforça Vladson.
Fernando Branco, presidente do Sindpacel (Sindicato das Indústrias de Papel, Celulose e Papelão da Bahia), lembra que o setor já vinha lidando com uma tarifa de 10% desde abril, e que algumas empresas conseguiam negociar diretamente com os clientes americanos. “Com a nova tarifa de 50%, isso se torna inviável. Perderemos competitividade frente a países como Canadá e Chile, que também exportam celulose e não enfrentam essa taxação”, lamenta.
O maior risco, segundo ele, vai além do prejuízo financeiro: é a perda definitiva de mercado. “Mesmo que essa tarifa seja revertida depois, reconquistar clientes é um desafio enorme num mercado tão competitivo. Se perdermos espaço agora, pode ser difícil voltar a ocupá-lo”, conclui Branco.