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Bahia usa inteligência artificial para recriar rostos de pessoas escravizadas

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Foto: Reprodução

Projeto inédito do Arquivo Público do Estado transforma registros históricos em retratos digitais realistas

O Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb) lançou o projeto Fragmentos de Memória, que utiliza inteligência artificial para reconstruir os rostos de pessoas escravizadas e libertas durante os períodos Colonial e Imperial. A iniciativa integra o programa Resgate Ancestral, promovido pela Fundação Pedro Calmon (FPC), e visa humanizar documentos históricos, transformando descrições frias em representações visuais sensíveis e fiéis ao contexto da época.

Sob direção de Jorge X e coordenação técnica de Adalton Silva, o projeto parte da digitalização e transcrição paleográfica de passaportes antigos. A partir dessas informações, são criadas descrições detalhadas que guiam a geração dos retratos. Também são utilizadas referências visuais históricas, como as obras do pintor Jean Baptiste Debret, fotografias de Marc Ferrez e acervos particulares, que ajudam na composição de cenários, roupas e elementos culturais da época.

As imagens são produzidas com modelos generativos de inteligência artificial, desenvolvidos pelo estúdio criativo Filmeiro, liderado por Victor Marinho e Mariana Bastos. A parte documental e paleográfica está a cargo do ateliê Memória & Arte, sob coordenação da doutora Vanilda Salignac de Sousa Mazzoni.

“O projeto transforma documentos frios em rostos cheios de histórias. É um ato de justiça simbólica”, afirmou Jorge X, diretor do Arquivo Público da Bahia.

O projeto encontra-se atualmente na fase de coleta de dados e testes visuais. A previsão é que, entre julho e setembro de 2025, o banco de dados visuais seja ampliado, com as primeiras imagens geradas em maior escala. Em outubro, serão realizadas sessões de curadoria para validação histórica. O lançamento oficial está previsto para novembro de 2025.

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