O Cortejo Afro realiza nesta segunda-feira (16) seu último desfile no Circuito Dodô, encerrando sua participação no Carnaval de Salvador 2026. A apresentação promete transformar a Barra/Ondina em um palco de celebração da ancestralidade africana, da música percussiva e da estética afro-brasileira, características marcantes do bloco.

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Com o tema “Bahia Benin – Reino de Daomé”, o Cortejo Afro celebra pela primeira vez, em seus 27 anos de história, um país africano como inspiração central. O Benin, antigo Reino do Daomé, foi uma potência da África Ocidental, com estruturas políticas, militares e religiosas complexas, cuja influência atravessou o Atlântico e permanece viva na cultura baiana. É possível perceber essa herança na culinária, nas religiões de matriz africana, especialmente o Vodun, e em diversas expressões estéticas. Em Salvador, a Casa do Benin simboliza essa conexão histórica.
Antes do desfile de encerramento, o bloco já se destacou com duas apresentações marcantes. Na sexta-feira (13), cerca de 2,5 mil integrantes percorreram o Circuito Osmar, levando um espetáculo de força simbólica, beleza plástica e intensa vibração percussiva. No domingo (15), o Cortejo Afro reforçou o diálogo afro-atlântico no Circuito Dodô, emocionando foliões durante todo o percurso.
As fantasias, assinadas pelo artista plástico Alberto Pitta, fundador do bloco, traduzem visualmente a potência do tema. Os chamados “panos bonitos” ganharam a avenida com composições vibrantes, unindo artes visuais, moda e performance em um espetáculo coletivo que reafirma o caráter artístico e sensorial do Cortejo Afro.
A Prefeitura de Salvador, por meio da Secult, patrocina o bloco, reforçando a valorização dos blocos afro e o fortalecimento da cultura afro-brasileira. Além disso, a Sefaz concedeu remissão de dívidas e isenção permanente de tributos a 106 entidades culturais e carnavalescas de matriz africana, indígena e outros grupos tradicionais sem fins lucrativos, totalizando cerca de R$ 1,2 milhão em benefícios, incluindo ISS e taxas de fiscalização.
Com essa iniciativa, a gestão municipal reafirma seu compromisso histórico com a base cultural que sustenta a festa mais popular da cidade, permitindo que entidades continuem promovendo a identidade e a diversidade cultural de Salvador.