Um documento oficial revelou que os Estados Unidos já monitoravam o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil, desde 2022. A informação consta no relatório anual do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que analisava o avanço do Pix como um possível fator de desequilíbrio para empresas internacionais que atuam no mercado financeiro brasileiro.
O relatório indicava que os EUA estavam atentos ao papel do Banco Central brasileiro como regulador e, ao mesmo tempo, operador do Pix. “Os Estados Unidos estão monitorando de perto os desenvolvimentos relacionados ao mercado de pagamentos eletrônicos de varejo no Brasil”, apontava o USTR, que também avaliava o sistema como uma possível barreira comercial para exportações e investimentos americanos.
A edição de 2022 foi a primeira – e até agora, única – a citar nominalmente o Pix. Desde então, embora o sistema não tenha sido mencionado diretamente em outros relatórios, o interesse dos EUA no sistema financeiro brasileiro permaneceu.
Agora, em 2025, o USTR anunciou a abertura de uma investigação formal para apurar se há favorecimento governamental ao uso do Pix, o que poderia impactar negativamente empresas norte-americanas que atuam no setor de pagamentos.
Segundo o Banco Central, somente em 2024, o Pix movimentou cerca de R$ 26,4 trilhões, demonstrando o alcance e a eficiência da ferramenta, que vem promovendo inclusão financeira e bancarização de milhões de brasileiros.
A economista Cristina Helena Mello, da PUC-SP, reforça que o Pix representa um avanço importante. “O Brasil desenvolveu uma forma de pagamento que oferece muitas vantagens. Ele é ágil, promove inclusão bancária e amplia a concorrência no mercado”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.