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Obras do Caminho da Fé são restauradas após vandalismo antes da Lavagem do Bonfim

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Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

Estruturas artísticas que retratam Santa Dulce dos Pobres e o Senhor do Bonfim foram totalmente recuperadas para receber os fiéis

Às vésperas da tradicional Lavagem do Bonfim, as obras de arte que integram o Caminho da Fé, na Avenida Dendezeiros, em Salvador, foram totalmente restauradas após sucessivos atos de vandalismo registrados no ano passado. O percurso liga as Obras Sociais Irmã Dulce à Igreja do Bonfim e é um dos caminhos mais simbólicos para os fiéis que seguem em direção à Colina Sagrada.

O Caminho da Fé é composto por 14 estações, totalizando 28 obras que retratam a história de Santa Dulce dos Pobres e a devoção ao Senhor do Bonfim. Mesmo contando com parafusos ocultos e proteção em vidro, 22 peças foram furtadas, o que levou à necessidade de reposição completa das estruturas. Os novos totens foram produzidos em madeira com chapas de aço inox, mantendo o projeto original do artista plástico Juarez Paraíso. A iniciativa foi viabilizada pela Fundação Gregório de Mattos (FGM).

Segundo a gerente de Patrimônio da FGM, Roberta Ventura, o conjunto artístico tem valor imensurável para Salvador. “As obras homenageiam duas figuras profundamente ligadas à identidade e à fé do povo brasileiro. O Caminho da Fé é um espaço de contemplação, reflexão e encontro entre arte, espiritualidade e memória coletiva”, destacou.

A gestora também lembrou que as obras integram um processo de tombamento e já possuem proteção legal provisória desde 2024. Mesmo assim, os atos de vandalismo continuaram ocorrendo. “É extremamente grave que bens com tamanha relevância cultural e simbólica sejam alvo de depredação”, afirmou.

O artista Juarez Paraíso ressaltou que o vandalismo vai além da questão artística e envolve educação, respeito à fé e ao patrimônio público. “A obra de arte é um investimento cultural e econômico. O vandalismo provoca dor e impotência, mas hoje elas estão de volta graças à responsabilidade da FGM e ao respeito à história de Santa Dulce”, afirmou.

Criado durante a pandemia da Covid-19, o projeto do Caminho da Fé nasceu como um símbolo de esperança em um período de incertezas. Além de Juarez Paraíso, outros 14 artistas participaram da concepção das obras. O percurso, inaugurado em agosto de 2020, tem 1,1 quilômetro de extensão e permite que cada totem seja apreciado de acordo com o sentido do trajeto, conectando fé, arte e identidade cultural na Península de Itapagipe.

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