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E.C. BAHIA

Bahia afasta Ramírez após denúncia de racismo contra Gerson

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Jorge Rodrigues/ Agência Estado

O Bahia afastou o meia Índio Ramírez das atividades do clube após a denúncia de racismo feita por Gerson, jogador do Flamengo. O flamenguista afirmou que durante o jogo, que acabou 4×3 para o time carioca, o jogador do Bahia disse a ele: “Cala a boca, negro”. 

O jogador tricolor acusado de racismo se chama Juan Pablo Ramírez, conhecido mais como Índio Ramírez. Ele foi contratado pelo Bahia em novembro, por empréstimo do Atlético Nacional, da Colômbia, e tem vínculo com o tricolor baiano até dezembro de 2021. 

Através de nota, o Bahia afirmou que Ramírez nega a acusação. Porém, destacou a decisão de afastar o colombiano com a alegação de que “é indispensável, imprescindível e fundamental que a voz da vítima seja preponderante em casos desta natureza.”

A seguir, confira a nota dada pelo Bahia, na íntegra:

O Esporte Clube Bahia vem a público se manifestar sobre a denúncia de racismo feita pelo atleta Gerson, do Flamengo, ocorrida na noite deste domingo (20). O atleta Indio Ramírez nega veementemente a acusação e a ele está sendo dada a oportunidade de se defender de algo tão grave. O clube entende, porém, que é indispensável, imprescindível e fundamental que a voz da vítima seja preponderante em casos desta natureza. Assim, decidiu afastar imediatamente o jogador das atividades da equipe até a conclusão da apuração. O presidente Guilherme Bellintani ligou para Gerson a fim de prestar solidariedade”.

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E.C. BAHIA

Bahia perde confronto direto com o Sport e volta para a zona de rebaixamento

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Foto: Bruno Queiroz/EC Bahia

Foi de bicicleta que Thiago Neves encaminhou o Bahia novamente para a zona de rebaixamento do Brasileirão. O veterano meia abriu o placar para o Sport neste domingo, 24, na Ilha do Retiro. Iago Maidana, em gol originado de bola parada, fechou o 2 a 0. Com 32 pontos, o Esquadrão agora fica a três dos dois Leões (da Ilha e do Pici, o Fortaleza). O Esquadrão ainda tem um jogo a menos, contra o Corinthians, na Fonte Nova, na próxima quinta, 28. Se ganhar, passa o Fortaleza e sai da zona.

Após evolução nítida mostrado contra o Athletico-PR, a equipe treinada por Dado Cavalcanti involuiu na noite deste domingo. No primeiro tempo, teve até chances de abrir o placar, mas voltou desligado para a etapa final e viu o rival nordestino dominar a partida.

O resultado deixa a partida a menos contra o Corinthians com contornos dramáticos, e liga um sinal de alerta para o Bahia para os próximos confrontos diretos. Precisa entrar muito mais ligado se quiser se manter na Série A. Serão três jogos contra times que lutam contra o rebaixamento até o final do Brasileirão: Vasco (fora de casa), Goiás (em casa) e Fortaleza (fora).

Lá e cá

O primeiro tempo foi bem movimentado na Ilha do Retiro. Duas equipes lutando contra o rebaixamento normalmente protagonizam jogos pegados, com marcação forte. E isso até aconteceu, só que em função de pressionar o adversário e criar chances.

A primeira oportunidade surgiu do lado rubro-negro. Betinho arriscou de muito longe e Douglas caiu para fazer a defesa. Já o Bahia teve sua melhor jogada aos 14, quando Thiago recebeu em profundidade de Matheus Bahia e, na cara do gol, chutou muito mal e a bola foi longe.

Com dificuldade para sair jogando, o Tricolor quase entregou o ouro aos 18, com Juninho. O zagueiro tentou cortar, mas jogou em cima do atacante do Sport. A bola sobrou para Thiago Neves que, de direita, carimbou a defesa do Esquadrão.

Pouco acionado, Gilberto ficou refém de cruzamentos sem sucesso. Tirando um de Matheus Bahia aos 16, foi saindo da área que o centroavante quase marcou, aos 28. Ele recebeu do mesmo lateral esquerdo, protegeu e mandou uma bomba da entrada da área para Luan Polli defender com certa dificuldade.

Aos 41, Patric obrigaria Douglas a trabalhar novamente, com um belo chute colocado. O goleiro do Bahia se esticou e espalmou para escanteio.

Só lá, sem cá

O velho clichê do ‘só uma equipe voltou para o segundo tempo’ pode ser aplicado aqui. O Sport amassou o Bahia durante a etapa final, fez cinco gols, sendo três anulados, e mereceu a vitória.

A primeira irregularidade veio aos seis minutos, com o personagem que protagonizaria as outras três: Ewherton. Antes de o atacante marcar, Thiago Neves, que deu a assistência, estava impedido.

Aos 17, o garoto aproveitou bola cruzada na área e mandou para dentro. Novamente impedido. A receita se repetiu aos 33, quando, após cobrança de falta, ele aproveitou a sobra e marcou. A sorte do Leão – na verdade, competência e talento – foi que aos 28 minutos Thiago Neves fez a pintura de bicicleta que deu ao time conforto para o resto da partida.

Maidana ainda faria mais um aos 40 minutos. Em cobrança de falta de Júnior Tavares, a bola foi desviada na primeira trave, Douglas deu rebote e o zagueiro completou.

O Leão da Ilha passou também Vasco e Fortaleza e, com 35 pontos, está na 14ª colocação. É o clube que tem mais vitórias (10) entre eles.

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E.C. BAHIA

Bahia adicionará cláusula anti-racismo em contrato com jogadores

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Jorge Rodrigues/ Agência Estado

O Bahia decidiu, nesta quinta-feira, 24, reintegrar o atleta Ramírez nas atividades do clube por não obter comprovação concreta de que ele tenha cometido injúria racial contra Gérson ou Bruno Henrique, jogadores do Flamengo, no jogo do último domingo, 20. 

Após o anúncio da reintegração, o time baiano lançou uma “Carta à sociedade”, na qual cita uma série de medidas preventivas para ajudar no combate ao racismo, à homofobia e à xenofobia. 

Nesse documento, destaca-se a inclusão de uma cláusula anti-racista, anti-xenofóbica e anti-homofóbica no contrato dos atletas. O texto não diz qual será a natureza da cláusula – se será de multa, recisão de contrato ou outro tipo de punição – e nem se será aplicada a todos os atletas. 

Além disso, a diretoria do clube também anunciou que vai encaminhar ao Conselho Deliberativo um projeto de inclusão de cotas raciais nas próximas eleições, além da implantação de um projeto chamado “Dedo na Ferida”, para conscientizar atletas profissionais em relação ao racismo estrutural.

 

Confira, a seguir, nota do Bahia na íntegra: 

 

PARTE 1 – O RACISMO E A SOCIEDADE

O racismo faz nosso país sangrar. Pela morte, pela dor, pelas portas fechadas, pela discriminação no mercado de trabalho, pela violência diária de todas as formas. O racismo entra pela fresta das casas, está nas ruas, nos supermercados, nas empresas e também no futebol. Segue impregnado por todos os lados. Combater o racismo é dever de todos: das organizações, dos governos e sobretudo das pessoas que historicamente se beneficiaram de uma estrutura social e econômica sustentada na branquitude e no racismo. O racismo é um fenômeno concreto e opera para além das estatísticas de expectativa de vida, acesso à saúde e garantias dos direitos fundamentais e dignidade humana. O racismo é persistente, gritante, barulhento e, por muitas vezes, silenciosamente cruel.

PARTE 2 – O BAHIA NO DEBATE RACIAL

Há três anos, através do Núcleo de Ações Afirmativas, o Bahia se tornou referência internacional na luta antirracista. As campanhas educativas do clube viraram tema de vestibular em universidades e de redação em escolas. Além das campanhas, o Bahia foi o primeiro time de futebol no mundo a lançar um programa de imersão para debater os aspectos estruturais do racismo. O “Dedo na Ferida” capacitou 484 pessoas em 15 organizações de 3 capitais brasileiras. Funcionários, diretores, conselheiros, torcidas organizadas, profissionais de imprensa, além de empresas de fora do esporte, participaram gratuitamente. Antes disso, homenageou personalidades negras do passado e do presente em suas camisas. Na divisão de base, o Bahia possui amplo programa de desenvolvimento humano tendo o combate ao racismo como tema principal. Há apenas 33 dias, abriu programa de trainee exclusivo para pessoas autodeclaradas pretas, ao todo com 305 candidatos, em outra inovação no futebol.

PARTE 3 – ACONTECEU COM O BAHIA? QUAL O SENTIDO DISSO?

O episódio do último domingo (20), com toda a sua repercussão e simbologia, nos revela que o combate ao racismo deve ser ainda mais aprofundado no nosso clube e no Brasil. O Bahia é um reflexo de uma sociedade que carrega o racismo em suas estruturas. A questão racial não pode servir de pano de fundo para uma disputa entre clubes e torcidas rivais. O racismo não veste uma só camisa. A postura antirracista deve ser constante e não apenas quando convém ao time que torcemos. No caso do Bahia, embora já venha perseguindo a luta antirracista, seria ingênuo acreditar que estaríamos imunizados a um fenômeno tão complexo e particularmente enraizado na sociedade brasileira. Ninguém está! Ser antirracista no Bahia não é apenas uma opção da presente gestão, mas uma obrigação institucional.

PARTE 4 – O QUE FAZER?

Os laudos das perícias em língua estrangeira contratadas pelo Bahia não comprovam a injúria racial e o clube entende que, mesmo dando relevância à narrativa da vítima, não deve manter o afastamento do atleta Indio Ramírez ante a inexistência de provas e possíveis diferenças de comunicação entre interlocutores de idiomas diferentes. O papel do Bahia é de formação e transformação, sempre preservando os direitos fundamentais e a ampla defesa. O atleta deverá ser reincorporado ao elenco tão logo os profissionais da comissão técnica e psicólogos entendam adequado.

O Futebol é reflexo de uma sociedade que, quando não nega o racismo, adere a um populismo punitivista que finge resolver o problema apenas punindo o agressor. Atos de discriminação racial não são “casos isolados”.

Portanto, por entender seu papel de entidade de interesse público, o Bahia se compromete publicamente a adotar um conjunto imediato de medidas estruturais:

  1. Inclusão de cláusula anti-racista, xenofóbica e homofóbica no contrato dos atletas.
  2. Proposta de criação de protocolo antidiscriminatório para jogos de futebol no Brasil.
  3. Implantação do projeto “Dedo na Ferida” para o elenco na pré-temporada. Não haverá jogador ou jogadora que vista a camisa do Bahia sem que tenha antes a oportunidade de obter acesso a uma imersão sobre racismo estrutural.
  4. Encaminhamento junto à mesa do Conselho Deliberativo do clube para incorporação de cotas raciais nas próximas eleições.
  5. Inclusão de espaço no Museu do Bahia dedicado ao combate e debate do racismo, xenofobia, sexismo e LGBTfobia e demais formas de intolerância.
  6. Apoio ao projeto de lei que Cria o Dia Nacional Da Luta Contra o Racismo no Futebol

Adicionalmente, o Bahia seguirá acompanhando os desdobramentos que ocorrerem fora das instâncias do clube, seja na Polícia Civil ou no Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

Além de negros, somos nordestinos e conhecemos bem o poder do preconceito e da exclusão pela xenofobia. Diante disso e das provas constituídas, caberá ao atleta Ramírez decidir pela denúncia ou não quanto ao tema – e ao Bahia apoiar a decisão.

Desde o domingo à noite o Bahia procurou uma rede de apoio formada por lideranças ligadas a movimentos sociais de enfrentamento ao racismo como o Observatório de Discriminação Racial e instituições como a Defensoria Pública e o Ministério Público do Estado, com quem está construindo um Termo de compromisso antirracista. Entendemos que nesse momento é necessário incorporar o compromisso com a implantação real e perene da agenda antirracista. Desta forma, respaldo institucional e a experiência de tais atores deste processo consolida e qualifica as nossas decisões.

Muitas das ações propostas neste documento, dentre outras, estarão sendo instrumentalizadas, nos próximos dias em convênios, parcerias e termos de compromissos com a agenda de enfrentamento ao racismo. As decisões e propostas durante esse processo tiveram a colaboração dos voluntários do nosso Núcleo de Ações Afirmativas, professores e ativistas atuantes no debate racial nas universidades e nos movimentos sociais.

O Bahia segue como um clube atento ao seu papel de transformação e bem-estar social. O futebol não é um fim em si mesmo. É um agente que deve promover união, preservação do patrimônio cultural, lutas por igualdade e diversidade dentro e fora das quatro linhas.

Esporte Clube Bahia.

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E.C. BAHIA

Bahia perde para o Grêmio por 2×0

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Jogando em Pituaçu, o Bahia sofreu a terceira derrota no Campeonato Brasileiro, desta vez para o Grêmio, por 2×0. O Esquadrão teve um bom início de partida, mas acabou punido após desperdiçar boas chances de abrir o placar. Aos 23 minutos, Alisson chutou de fora da área, no canto direito de Mateus Claus, e fez o primeiro dos gaúchos.

Aos oito minutos da segunda etapa, quando Bahia novamente pressionava, Darlan acertou chute forte e fechou o placar. O resultado deixou o Tricolor de Aço na 14ª posição, com nove pontos. O próximo confronto é contra o Atlético Goianiense, domingo (13), às 18h, novamente em Pituaçu.

Gregore, expulso contra o Grêmio, desfalca o Bahia. Ronaldo e Juninho Capixaba, voltam a ser opção e ficam a disposição de Mano Menezes, que estreará no comando da equipe.

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