POLÍTICA
LDO 2027 é debatida em audiência na Câmara de Salvador

A Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização da Câmara Municipal de Salvador realizou, na manhã desta quarta-feira (10), uma audiência pública para discutir o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. A proposta encaminhada pela Prefeitura estima uma receita total de R$ 15 bilhões para o próximo exercício e estabelece as prioridades que irão orientar a elaboração do orçamento municipal.
Durante o debate, um dos temas que ganhou destaque foi a geração de empregos na capital baiana. O presidente da comissão, vereador Daniel Alves (PSDB), demonstrou preocupação com a dificuldade de Salvador em ampliar a oferta de vagas no mercado de trabalho. Embora tenha reconhecido a importância dos programas de qualificação profissional previstos pela administração municipal, o parlamentar ressaltou a necessidade de criar novas oportunidades para absorver a mão de obra capacitada.
Representando a Prefeitura, o secretário da Casa Civil, Luiz Carreira, afirmou que a gestão municipal deverá alcançar a marca de mais de 170 mil trabalhadores qualificados até o fim do mandato do prefeito Bruno Reis. Segundo ele, a capacidade do município para atrair novos empreendimentos é limitada, uma vez que instrumentos de incentivo econômico mais amplos dependem de políticas estaduais e federais.
A proposta da LDO prevê investimentos em áreas estratégicas, incluindo a ampliação de programas sociais, a modernização do transporte público com a aquisição de novos ônibus equipados com ar-condicionado, o avanço do projeto Salvador Capital Afro e a implantação do teleférico de Salvador. Ao todo, o documento apresenta 89 ações consideradas prioritárias e outras 59 classificadas como estratégicas.
A vereadora Marta Rodrigues (PT) questionou a compatibilidade entre a LDO e o Plano Plurianual (PPA), argumentando que parte das ações previstas nos dois documentos não coincide. Para a parlamentar, as metas estabelecidas no planejamento de médio prazo deveriam ter maior presença na proposta orçamentária anual.
A apresentação técnica do projeto foi conduzida pela diretora-geral de Orçamento, Virgínia Porto Santos. Ela destacou que Salvador mantém uma situação fiscal equilibrada e continua bem avaliada pelo Tesouro Nacional no indicador de Capacidade de Pagamento (Capag), mesmo com um leve aumento da dívida consolidada em razão da captação de recursos para investimentos.
O texto encaminhado à Câmara prevê cerca de R$ 3 bilhões em despesas de capital destinadas principalmente a obras de infraestrutura urbana, mobilidade e programas sociais. A expectativa da Prefeitura é que o crescimento das receitas correntes e tributárias ofereça suporte financeiro para a execução dos projetos previstos entre 2027 e os anos seguintes.
Além de vereadores e representantes do Executivo, a audiência também contou com a participação de assessores municipais e cidadãos interessados no planejamento das ações que deverão orientar o desenvolvimento da capital baiana nos próximos anos.


