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‘Vivia dizendo pra parar de andar de moto’, diz pai de jovem morta em Itapuã

O pai, Jerômino, proibia. Mas Samantha decidiu comprar, às escondidas, sua própria motocicleta, no último sábado (12). Um dia depois, a vendedora de 26 anos, acompanhada do sobrinho, de 17, colidiu o veículo contra o muro da antiga Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), na Avenida Dorival Caymmi, em Itapuã. De lá, saíram já sem vida.

Menos de 24 horas depois da moto comprada, de anos de discussão, Jerônimo, policial militar aposentado de 51 anos, relembrou todas vezes em que pediu para a filha desistir da vida sobre duas rodas.

“Vivia dizendo para ela parar. Aí, acontece isso”, conta Jerômino Araújo, na porta do Instituto Médico Legal (IML), à espera da liberação dos corpos de filha e neto, com quem dividia o teto, em Cajazeiras 10.

Os dois haviam saído há pouco tempo de Cajazeiras 11, onde foram visitar os dois filhos de Samantha Araújo dos Reis, criados pelos avós paternos. O menino, de 4 anos, pediu para que a mãe não deixasse a casa. Minutos após o pedido não atendido, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegava a Samantha e Daniel Henrique Araújo dos Reis, já mortos.

As circunstâncias do acidente são desconhecidas. Principalmente por parentes: Samantha, apesar de não habilitada, tinha experiência até em rodovias. “Já pegou estrada de moto, pegava BR. Só Deus sabe por que aconteceu isso”, desabafa Denise Araújo, 30, mãe do estudante Daniel.

Samantha e Daniel morreram no local do acidente (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

Tia e sobrinho teriam ido visitar parentes em Itapuã. “Samantha tinha pelo menos três tios lá, mas a gente não sabe ao certo”, pondera ela, que mora em Alagoinhas, no Nordeste do estado.

Há quatro anos, Jerônimo havia pedido à filha que vendesse a moto que tinha. Anos de experiência trabalhando no Detran o deixaram cauteloso. Ele relembra: “Vinha tanta coisa feia, tanto acidente…”.

A filha trabalhava como vendedora em uma loja no Salvador Shopping; o neto era estudante, um adolescente alegre, querido por todos, lembra a mãe. “O colégio onde ele estudava até deixou de funcionar hoje, por causa do que aconteceu”, acrescenta a prima de Daniel, Paloma Martins, 19 anos.

Do IML, de onde foram liberados às 16h25 desta segunda-feira, os corpos seriam levados para Mundo Novo, terra natal da mãe de Samantha, e de parte da família.

O jovem, como em premonição, diz a mãe, falava há tempos do desejo de ser enterrado no município do Centro Norte da Bahia. Assim como Samantha.

“Serão enterrados no jazigo da família, como era a vontade deles”, diz o pai e avô.

Os parentes mais próximos devem embarcar de ônibus ainda nesta noite. A partir de agora, dias de saudade. E Jerômino acrescenta, sem entender: “Definir filho é mesmo complexo.”

Perigo na pista
O acidente foi apenas um dos 1.544 com vítimas fatais, registrado nos últimos sete anos, em Salvador. Os números são de um levantamento feito pela Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador). Entre 2010 e 2017, foram 46.600 acidentes com feridos.

Daniel Henrique Araújo dos Reis, 17 anos, e a tia Samantha Araújo dos Reis, 26, entraram para as estatísticas no início da noite deste domingo (13). Os dois trafegavam a bordo de uma moto pela Avenida Dorival Caymmi quando bateram contra o muro da antiga EBDA. O impacto foi tão forte, que derrubou ao menos seis blocos de concreto que cercam o terreno. Os ocupantes da moto morreram no local.

A moto atingiu o meio-fio e depois foi projetada por cerca de 10 metros até se chocar contra o muro de concreto. As vítimas usavam capacete, mas o veículo estaria em alta velocidade no momento da batida.

Na avenida onde aconteceu a batida, a Transalvador registrou, em 2017, 47 acidentes com feridos e quatro com mortes.

informações do Correio / Foto de Capa Mauro Akin Nassor/CORREIO

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