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SAÚDE

H5N8: primeiros casos de doença aviária em humanos preocupam?

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Foto: Reprodução Internet
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Em tempos de pandemia, qualquer notícia sobre novas formas de vírus atingindo seres humanos já se torna motivo para despertar o sinal de alerta. Na última semana, a Rússia reportou os primeiros casos de gripe aviária causada pelo vírus H5N8 em humanos. Segundo a agência governamental de vigilância em saúde Rospotrebnadzor, sete trabalhadores de uma granja foram infectados após um surto entre as aves.

De acordo com Anna Popova, chefe do órgão sanitário, todos os funcionários estão bem, não desenvolveram sinais clínicos e não transmitiram o vírus para outras pessoas. Ainda assim, o fato ganhou espaço nos noticiários por ser a primeira vez em que o H5N8, que é perigoso para aves, causou a doença em humanos, chamando a atenção de muita gente na internet pelo contexto sanitário atual. Mas, afinal, há risco do H5N8 provocar uma pandemia como a do coronavírus?

O infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, Celso Granato, e a médica veterinária, professora de Doenças das Aves e Coordenadora do Laboratório de Sanidade Avícola da Escola de Medicina Veterinária da UFBA, Lia Fernandes, dizem que não, mas que é preciso manter o alerta.

Lia explica que o vírus da gripe ou influenza é classificado em tipos A, B, e C, sendo o tipo A o mais preocupante para a saúde pública, pelo fato de infectar aves e mamíferos, como suínos, equinos e seres humanos. Grandes pandemias, como a de gripe espanhola no passado e a de H1N1 atualmente, foram causadas por vírus Influenza A de origem aviária. No entanto, o subtipo H7N9, surgido em 2013 e classificado inicialmente como de baixa patogenicidade para aves domésticas, infectou 1.568 pessoas na China e causou 616 mortes.

“Aves aquáticas selvagens e aves marinhas são hospedeiras naturais do vírus Influenza A e, durante seus períodos de migração, dispersam o vírus globalmente e representam papel fundamental na evolução do vírus e na transmissão para aves domésticas e mamíferos”, explica a veterinária. Ela destaca que, até o momento, o Brasil não registrou nenhum caso de influenza aviária em animais ou humanos.

A especialista afirma que a transmissão das aves para as pessoas geralmente ocorre através da “inalação das partículas virais presentes nas fezes e secreções de aves infectadas” e que, apesar da influenza geralmente ser associada a quadros respiratórios, a depender do subtipo, pode ocorrer doença sistêmica nos múltiplos órgãos, em aves, mamíferos, e também no homem. Quando isso acontece, a taxa de letalidade pode ser próxima a 100%.

Segundo o infectologista Celso Granato, a situação do H5N8 não poderia gerar uma pandemia porque os sete trabalhadores infectados não transmitiram o vírus para outros seres humanos.

“Uma coisa é ter um vírus que passa da ave para o homem e outra coisa é este mesmo vírus passar de um ser humano para outro ser humano. Não basta ter um vírus da gripe que você detecta em uma pessoa, mas não vê ele passar para outra. Não há evidências de que essas pessoas que trabalham na granja passaram para outras, isso é fundamental para achar que pode ter uma epidemia. A epidemia acontece quando um ser humano passa para o outro e não por uma ave passar para o ser humano”, ressalta.

A veterinária Lia ressalta que, ainda assim, é preciso manter a vigilância quanto ao H5N8, devido à circulação ampla do subtipo na Ásia e Europa. A questão da influenza, como um todo, é observada pela OMS desde 2003, quando surgiu o subtipo H5N1, e a entidade recomenda monitoramento e criação de planos de contingência para lidar com o problema, caso ele surja.

“Se o vírus passa a infectar humanos, há o risco de rearranjo nesse hospedeiro, que seria a combinação entre vírus humano e aviário. Vamos supor que uma pessoa já esteja gripada (com um subtipo de vírus da gripe de circulação entre humanos, sazonal) e se infecte com vírus do subtipo aviário. Em suas células, pode ocorrer a combinação entre esses dois subtipos e surgir um novo subtipo, de patogenicidade desconhecida, e que pode ter a capacidade de transmissão entre humanos. Por isso a preocupação é pertinente, já que a aquisição da transmissibilidade de humano para humano de um vírus zoonótico pode marcar o início de uma nova pandemia do vírus influenza”, diz.

“Apesar da Influenza Aviária ser exótica em nosso país, devemos estar alertas e vigilantes, pois o vírus pode chegar ao nosso território”, continua.

De qualquer modo, Celso Granato lembra que trabalhadores de granjas devem reforçar os cuidados com a higienização, assim como os criadores de aves. Aliás, manter a vigilância sobre tais hábitos é o diferencial para evitar diversos tipos de doenças, entre as quais, as influenzas já conhecidas e a própria Covid-19.

“As pessoas estão tão sensibilizadas com o coronavírus que se assustam quando ouvem falar em um novo vírus, mas acho que agora não é hora de se preocupar com isso. De qualquer forma, os cuidados que a gente tem que ter com qualquer forma de gripe são os mesmos que o coronavírus. Quando a gente passou a usar máscara, lavar a mão, evitar aglomerações, registramos a quantidade de gripe mais baixa dos últimos tempos”, aponta.

“É importante enfatizar a necessidade de compreendermos que o surgimento de pandemias está relacionado à interação dinâmica entre a saúde animal, fatores ambientais e o sistema imunológico do hospedeiro humano, ou seja, a saúde humana está indissolutamente ligada à saúde dos animais e ao meio ambiente”, finaliza Lia.

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